Artigo: Quando a Ocupação do Edifício Ultrapassa sua Função

Por Renata G. Buffa

Dia 27 de agosto de 2017, domingo de sol. Ótimo dia para fotografar algumas obras cujo projeto foram de nossa autoria, não é mesmo? Mas, para grande surpresa da equipe da Graco, não foram apenas os prédios que foram fotografados!

Logo ao chegar na portaria do campus, o vigia pergunta: “Vocês vão para o Festival de Pipas?”, ao qual apenas concordamos. Ao chegar ao centro do campus, o chão e o céu estavam tomados de cores. Gente de todas as idades no gramado ao lado do CAD-1 – Conjunto de Apoio Didático 1, empinando pipas, fazendo apresentações em pernas de pau, criando suas pipas na grande circulação entre os blocos de ensino, enfim, aproveitando o espaço público da forma mais lúdica possível.

Para não perder totalmente o foco do que fomos fazer no campus, seguimos até o departamento de Aeronáutica, para capturar algumas imagens da edificação concluída. Ao contrário de toda a movimentação que encontramos há poucos metros de distância, os hangares estavam serenos, em pleno descanso dominical. Pudemos tirar as fotos sem interrupções, focalizando apenas os edifícios e arredores. Cumprida a primeira sessão de fotos, decidimos voltar ao ponto de chegada. Havia, além do CAD-1, mais dois prédios para serem fotografados – o edifício da Química Ambiental e o edifício de Apoio e Garagem, mas o evento roubou a cena e o nosso tempo, e nos deu a ideia para escrever este post.

Todo projeto, seja ele de edificações, interiores ou de caráter urbanístico, começa com um programa de necessidades, onde são descritas as demandas do cliente, quais os tipos e quantidade de ambientes, limitações, etc. Colocado o programa, começam os estudos, para definir a distribuição do espaço, sua volumetria, seu entorno, e, assim, desenvolver o projeto propriamente dito. Ao final, o resultado é o espaço totalmente projetado, pensado para que seu uso seja adequado, funcional e agradável. Ponto. Mas, neste domingo, percebemos que o ponto vira vírgula, e a construção ganha muitas outras possibilidades de ocupação. Os espaços projetados tiveram seu significado completamente revistos. As salas de aula, laboratórios e anfiteatros estavam trancados, mas o eixo de circulação principal se transformou em um grande atelier, com oficinas diversas. Sem paredes, mas, ao mesmo tempo, com salas devidamente delimitadas pelos grupos das brincadeiras que estavam acontecendo. As instalações eram as mais simples possíveis: iluminação e ventilação naturais, graças ao sol e ao vento que estavam em perfeito funcionamento. O conforto térmico e acústico foi resultado da alegria calorosa e das atividades lúdicas distribuídas em cada canto do edifício.

O projeto inicialmente não previa tal ocupação, mas o edifício se mostrou adequado para mais um tipo de atividade. Bem que as pipas coloridas poderiam fazer parte do currículo universitário, para que as pessoas saíssem graduadas também em aproveitar as coisas simples da vida.

Seguem abaixo algumas imagens desse domingo inusitado!

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